Hexagrama 10 / 64
A Conduta
Sua imagem clássica é pisar na cauda de um tigre: o perigo é real e imediato, mas ultrapassável se a conduta for cuidadosa e precisa. Este é um hexagrama sobre o modo como você atravessa o risco, não sobre se deve avançar — o tigre, note-se, não é hostil por natureza. Reage à forma como é abordado, e boa parte do desfecho depende dessa reação, não do temperamento do próprio tigre.
Aparece em torno de desequilíbrios de poder e negociações sensíveis — situações em que os riscos são reais, mas o pânico ou a falta de jeito, e não a situação em si, constituem o verdadeiro perigo. O conselho é tratar a parte mais poderosa com cuidado genuíno, em vez de provocá-la ou travar exatamente no momento em que mais importa manter a compostura. Conduzida com serenidade, mesmo uma situação arriscada se resolve sem dano, e várias das suas linhas descrevem especificamente uma conduta que dá certo só pela firmeza, sem qualquer vantagem especial.
Suponha que você precisa pedir algo genuinamente necessário a uma parte interessada difícil e poderosa — mais tempo, mais orçamento, uma concessão de que nem tem certeza. Este hexagrama não diz para evitar o pedido. Diz que a maneira importa tanto quanto o conteúdo do próprio pedido. Vale abordar de forma direta e respeitosa, sem agressividade nem desculpas nervosas em excesso, e o encontro tende a se resolver melhor do que a ansiedade prévia faz parecer.
A Conduta forma par com o Hexagrama 9, dando continuidade ao seu tema de paciência e precisão — onde o 9 aconselha acúmulo suave, o 10 aconselha conduta cuidadosa no momento em que algo realmente precisa acontecer, uma vez terminado o tempo de acumular. Lido de forma mais ampla, se aplica a qualquer encontro em que a sua própria conduta, mais do que a disposição da outra parte, decide o desfecho — o que é, à sua maneira, reconfortante, já que sua conduta é a única parte do encontro que você controla do início ao fim.