Hexagrama 17 / 64
O Seguir
Trovão dentro de um lago, movimento contido e moldado pelo que o rodeia, e não a mover-se livremente pelos seus próprios termos. O Seguir é a arte disciplinada de se adaptar a circunstâncias em mudança — não obediência passiva, mas a competência ativa de alinhar a própria conduta com o que a situação de facto exige, em vez de insistir num rumo fixo estabelecido antes de tudo ter mudado à volta.
Aparece quando a flexibilidade serve melhor do que a rigidez: adaptar-se a uma nova função, seguir um líder ou processo em quem genuinamente se confia, ajustar-se conforme as circunstâncias mudam em vez de forçar um plano ultrapassado a continuar a funcionar para além da sua utilidade. O conselho antigo é preciso sobre o que faz este seguir funcionar — tem de ser escolhido com sinceridade e no momento certo, não apenas aceitar o que é mais fácil porque resistir parece esforço a mais.
Suponha-se ter entrado numa organização com uma forma estabelecida de fazer as coisas, diferente do próprio instinto sobre como deveriam ser feitas. Este hexagrama não diz para abandonar o próprio critério de forma permanente. Diz que este momento recompensa adaptar-se primeiro ao novo contexto e conquistar credibilidade dentro dele, antes de o tentar mudar a partir de uma posição em que ninguém ainda confia o suficiente para isso. A competência está em distinguir essa adaptação ponderada de simplesmente evitar o atrito por o atrito ser desconfortável.
O Seguir forma par concetual com O Entusiasmo (16) — o entusiasmo que move outros, e a disponibilidade para ser bem movido por uma liderança genuína, lidos como duas metades da mesma relação, uma ativa e outra recetiva a ela. Vale distingui-lo de simplesmente agradar a todos: a tradição favorece a adaptação escolhida por ser, aqui e agora, o caminho mais sensato, e é claramente desfavorável a seguir por pura relutância em alguma vez defender uma posição própria, o que trata como fraqueza disfarçada de flexibilidade.