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Hexagrama 33 — A Retirada

Hexagrama 33 / 64

A Retirada

Uma montanha sob o céu, o céu a retirar-se para cima enquanto a montanha permanece em baixo — uma retirada ordenada e digna, e não uma debandada que nada deixa para trás. A Retirada descreve o afastamento estratégico, e trata o reconhecimento de que as condições favorecem recuar como força, não derrota, por mais que possa parecer isso a quem o está a viver.

Aparece quando o gesto mais sábio é de facto desligar-se — de uma situação perdida, de um conflito improdutivo, de circunstâncias em que continuar a insistir custa mais do que ajuda e não mostra sinais de mudar tão cedo. Aqui o tempo é tudo: a retirada empreendida cedo e de forma deliberada, enquanto ainda se controla como e quando sair, é favorável. A mesma retirada adiada até ser forçada é bem menos favorável, e bem menos digna de se olhar para trás anos depois.

Suponha-se que um emprego ou projeto se tem vindo a estragar discretamente há algum tempo, e ficar parece lealdade quando na verdade só está a adiar uma saída que se tornou inevitável de qualquer forma, quer se aja agora quer se espere mais. Este hexagrama favorece fazer dessa saída uma escolha deliberada e no próprio tempo — negociar a partida, preparar o que se segue, sair com dignidade real intacta — em vez de esperar que as circunstâncias forcem a saída nos termos e no calendário de outra pessoa.

A Retirada forma par com o Hexagrama 34, O Poder do Grande, como opostos complementares — recuo e avanço, contenção e força — um lembrete de que o sistema não favorece universalmente nem a ação nem a contenção, apenas o que se ajusta ao momento em que de facto se está. As suas linhas descrevem formas cada vez mais favoráveis de recuo quanto mais cedo empreendidas: uma retirada "gorda", bem provida, feita com calma, é explicitamente favorecida sobre uma feita à pressa ou sob pressão direta de circunstâncias já viradas contra quem recua.

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